quinta-feira, 2 de maio de 2013

1º ÍNDIO HABILITADO EM SALVAMENTO AQUÁTICO NO ACRE

Shawan Arara é o primeiro índio habilitado no Acre em salvamento aquático
 
     O indígena Shawan Arara, cujo nome em português é Paulo Lima Silva, da tribo Arara do município de Porto Walter, se tornou o primeiro índio no Acre habilitado em salvamento aquático. Shawan fez parte da turma de 29 voluntários que concluíram o curso de Guarda Vida Amador realizado pelo Corpo Bombeiros de Cruzeiro do Sul. (AC).
     O indígena de 32 anos já serviu o Exército Brasileiro e se interessou pelo curso de Guarda Vida por conta de um afogamento que aconteceu com uma criança da aldeia que foi a óbito porque não souberam fazer o atendimento de primeiros socorros.
     Shawan afirma que o curso é muito importante e vai ajudar nas aldeias e está muito feliz por ter conseguido estar entre os 29 que concluíram o curso. “Eram 56 inscritos e só concluíram 29 porque é preciso ter bom prepara físico e saber nadar. Agora, sei como agir diante de um afogamento ou naufrágio e vou repassar as instruções que recebi para o meu povo”, disse o índio.
     O comandante do Corpo de Bombeiros em Cruzeiro do Sul, Major BM Marcelo Araújo, explicou que o curso de Guarda Vidas Amador prepara os socorrista para atuar nos balneários da cidade tendo em vista a grande quantidade afogamento que acontecem na região.
 
     O curso tem o objetivo de desenvolver a capacidade física, psicológica e intelectual do Guarda Vidas e os voluntários passam por treinamentos em salvamento aquático, primeiros socorros, condicionamento físico e natação. Seguindo a tradição após o término da formatura os voluntários recebem o batismo com o banho d’água.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

GBS BM/RS - CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM BUSCA E SALVAMENTO

    

 Os 26 novos soldados da turma de 2013, que optaram por integrar o efetivo do Grupamento de Busca e Salvamento (GBS) do Corpo de Bombeiros da Brigada Militar, serão submetidos a curso de especialização para poder atuar, de fato, na Unidade. O curso é dirigido ao novo efetivo do GBS e a outros integrantes que necessitam da especialização em busca e salvamento terrestre e aquático de superfície (não inclui o resgate com mergulho). No total, serão 46 alunos, divididos em duas turmas, com aulas nos períodos de 02 a 19 de maio e 25 de maio a 15 de junho.
 
     Cada grupo passará por treinamento intensivo, durante três semanas, na Escola de Formação e Especialização de Soldados (Esfes), em Montenegro. O local conta com uma área de treinamento operacional para ocorrências de grande complexidade, relativas ao atendimento de Bombeiros, que inclui estruturas colapsadas, espaços confinados, mobilidade restrita, salvamento em rio e buscas em mata.
 
     Conforme o instrutor-chefe do curso, capitão Isandré Antunes de Souza, os pilares de atuação do GBS são nivelamento de conhecimento, padronização de condutas e atuação sincronizada. "Não existe simulação no treinamento de bombeiros, pois o fogo está ali, a profundidade da água está ali, e os riscos são grandes", destaca o capitão Antunes. "Assim, cada um do grupo precisa conhecer o comportamento do outro e reconhecer isso para assumir a dianteira ou recuar, em certas ações", explica o oficial especialista no resgate em estruturas colapsadas.
 
FONTE: Jornal Agora

terça-feira, 30 de abril de 2013

BOMBEIROS DA PARAÍBA ESTÃO ADQUIRINDO 2 VTR AUTO PLATAFORMA - 6,5 MILHÕES EM BENEFÍCIO A POPULAÇÃO

GOVERNO QUE EQUIPA O BOMBEIRO É GOVERNO QUE SE SE IMPORTA COM A POPULAÇÃO. 6,5 MILHÕES SERÁ O VALOR APROXIMADO DAS DUAS VIATURAS AUTO PLATAFORMA QUE ESTÁ EM PROCESSO DE COMPRAS NA PARAÍBA.

     O Corpo de Bombeiros Militar da Paraíba divulgou durante a reunião de monitoramento nessa quinta-feira (25), o início de licitação, por meio da Secretaria Estadual de Administração, para aquisição de duas viaturas de resgate para atender ocorrências em altas edificações. O investimento total realizado é na ordem de R$ 6.560.000,00 com recursos próprios do Governo do Estado.
      Para o comandante Geral do Corpo de Bombeiros Militar da Paraíba, coronel Jair Carneiro de Barros, a nova aquisição visa se adequar a evolução imobiliária no Estado. “As duas viaturas serão do tipo autoplataforma aérea, destinadas tanto às ações de salvamento quanto de combate a incêndio e serão distribuídas em João Pessoa e Campina Grande”, destacou o comandante.
     Ele ainda informou que a Paraíba será o primeiro Estado do Nordeste a adquirir esse tipo de viatura. “A tecnologia é de última geração, existem viaturas similares nos Estados de São Paulo, Minas Gerais, Tocantins e Distrito Federal”, acrescentou.
     Com fabricação italiana obedecendo às normas brasileiras, a viatura de resgate terá um alcance de 55 metros de trabalho vertical para salvamento. Já a viatura de combate a incêndio vai comportar escadas de 150 metros, tanque de água com capacidade para 3.000 litros e um tanque para líquido gerador de espuma para incêndios em líquidos inflamáveis.

PEQUENA LEITURA DA PARAÍBA

População2012
- Estimativa3 815 171 hab. (13º)2
- Densidade67,6 hab./km² ()

Economia20103
- PIBR$31.947.000 (19º)
- PIB per capitaR$8.481,00 (24º)
 


 

segunda-feira, 29 de abril de 2013

BREC - EXPLOSÃO EM PRÉDIO RESIDENCIAL NA FRANÇA

Dois morreram e nove ficaram feridos após explosão em prédio residencial em Reims, cidade francesa a leste de Paris.

       Paris - O desabamento de parte de um prédio de quatro andares neste domingo na cidade de Reims, na França, causou a morte de duas pessoas e deixou vários feridos, informaram autoridades locais.
 
       A prefeita Adeline Hazan, que rege o departamento de Marne, no qual fica a cidade, disse em entrevista concedida à rede "BFM TV" que o desabamento foi provocado por uma explosão, "provavelmente" de gás.
 
       O saldo provisório disponível até o momento indica que o número de mortos pode aumentar, já que ainda não se sabe o número total de pessoas que estão sob os escombros do edifício residencial, situado em um bairro da periferia de Reims.
 
       Até o momento, 15 pessoas saíram ou foram retiradas com vida do prédio e estão sendo atendidas pelas equipes médicas
 
       O oficial de resgate, falando sob condição de anonimato porque não estava autorizado a discutir o assunto, disse que não poderia confirmar imediatamente se uma explosão tivesse ocorrido.
 
FONTE: EXAME

quinta-feira, 25 de abril de 2013

sábado, 13 de abril de 2013

60 horas aula de Salvamento em Altura - CBFBM 12/13

CASCATA DO CHUVISQUEIRO - Rolante

 

            Encerramento das 60 horas aula de Salvamento em Altura, agradeço o Sgt Guedes pelo apoio fundamental ao andamento correto das atividades de ensino.
             Essa turma de CBFBM 13/13 facilitou, pois são jovens com corações de gigantes.
 
             Eles puderam ver o quanto aprenderam em 2 momentos, - num salvamento em altura que 4 deles executaram (ocorrência de gente grande), - e na visita ao GBS, aonde tiverem magníficas explicações da Gu SV aonde viram que muito conhecimento está equalizado ... agora que venha a prática. Parabéns a Turma 2.2 do CBFBM do Corpo De Bombeiros de Sapiranga , hoje sei que a unidade que receber vocês estarão com diamantes nas mãos. - por Sgt Alex Bombeiro
 
 

sábado, 6 de abril de 2013

Qual o futuro do SIG-PI ? Entrevista com o Comandante da Brigada Militar

Sistema sob suspeita liberou 121 mil alvarás de incêndio no Rio Grande do Sul

Criado para agilizar vistorias, software usado pelos bombeiros é definido no inquérito da boate Kiss como "falho, incompleto e simplificado"
Por: Adriana Irion e Humberto Trezzi
 
No Estado, há 121 mil alvarás de prevenção a incêndio emitidos a partir do Sistema Integrado de Gestão de Prevenção de Incêndio (SIG-PI), o mesmo usado para dar o documento à boate Kiss, que incendiou em 27 de janeiro.
 
     Ao afirmar na conclusão do inquérito que o sistema é "falho, incompleto, simplificado ao ponto de dar primazia à quantidade (de vistorias) em detrimento da qualidade (segurança)", a Polícia Civil colocou em dúvida a eficácia de um mecanismo gestado pelo Corpo de Bombeiros. Ele foi criado há oito anos para driblar a falta de efetivo e alavancar a quantidade de inspeções que deveriam servir para a prevenção de incêndios.
 
     Na página 42 do relatório de conclusão da investigação, os delegados que trabalharam 55 dias para esmiuçar as circunstâncias da tragédia que matou 241 pessoas foram contundentes: "...ficou evidenciado que o sistema SIG-PI teve colaboração para o incêndio que ocorreu na boate Kiss e, consequentemente, nas mortes e lesões que dele decorreram."
 
     A forma de manter o SIG-PI funcionando está em debate pela Brigada Militar. A investigação das circunstâncias do incêndio revelou que o uso do sistema estaria desvirtuado. Um mecanismo que deveria servir para a fiscalização — e consequente emissão de alvará de prevenção a incêndio — de prédios de até 750 metros quadrados e de risco pequeno, passou a ser usado indiscriminadamente, sem análise de plantas baixas e croquis do imóvel. É o que foi apurado pela polícia no caso da boate Kiss.
 
"É nítida a opção pela quantidade"
 
     Os bombeiros tinham apenas dados básicos da casa noturna anotados no SIG-PI e, mesmo assim, concederam aos proprietários licença para abrir o estabelecimento. Com uma única saída, sem sinalização de emergência e com guarda-corpos instalados no ambiente, o local virou uma armadilha, que aprisionou as vítimas na hora do fogo.
 
     O comando da Brigada Militar não sabe informar quantos dos 121 mil alvarás se referem a casas noturnas ou a outros locais de aglomeração de público, cujo risco de incêndio é classificado em lei como "médio". Sendo local de risco médio ou grande, as exigências em relação aos sistemas de prevenção de fogo são maiores. Para verificar as falhas na concessão do alvará de incêndio da Kiss, a Polícia Civil ouviu, entre outros, 28 bombeiros da ativa e da reserva. É consenso que o SIG-PI, criado para cortar a burocracia, acabou garantindo agilidade, o que é positivo, mas em detrimento da segurança.
 
     No inquérito que investigou a tragédia da boate Kiss, o delegado Sandro Meinerz definiu da seguinte forma o sistema:
"As falhas do SIG-PI começam com a eliminação da necessidade de um responsável técnico... Ou seja, pessoa com formação própria na área de engenharia ou arquitetura, desconsiderando locais onde há aglomeração de pessoas ou que contenham outras peculiaridades relativas à segurança da população... é nítida a opção pela quantidade de alvarás em detrimento de condições mínimas de efetiva segurança técnica".
 
     A agilidade do processo pode ser provada em números: segundo oficiais que participaram da criação do SIG-PI em Caxias do Sul, antes do sistema existir, os bombeiros faziam cerca de 15% a 20% das vistorias necessárias. Com o SIG-PI, estariam conseguindo contemplar 90% do trabalho.
 
     Enquanto aguarda as conclusões das investigações feitas pela BM, o comandante-geral da corporação, coronel Fábio Duarte Fernandes, arrisca uma avaliação:
— O SIG-PI é uma excelente ferramenta para prédios simplificados. A partir daí, temos que agregar outras coisas: ART(responsável técnico), que ele não exige, as plantas, que ele não exige. Porque senão fica um negócio muito simples, e tira a responsabilidade do bombeiro. Alguém tem que ser responsável por isso.
 
"O SIG-PI tem problemas", diz comandante-geral da BM
 
     O comandante-geral da BM, coronel Fábio Fernandes Duarte, admite que o SIG-PI tem problemas e que precisa ser modificado:
Zero Hora — O inquérito diz que o SIG-PI é falho, temerário, precário. O senhor pensa em acabar com o sistema?
Fábio Fernandes Duarte — Não sei se acabar ou aperfeiçoá-lo. Mas ele (SIG-PI) tem problemas.
ZH — O SIG-PI é usado em todo Interior Quantos podem ter sido emitidos com os mesmos erros?
Fábio — Estamos revisando.
ZH — Qual o futuro do SIG-PI?
Fábio - Ele precisa ser adequado. Na minha visão ele é muito eficiente para um sistema simplificado.
ZH — O senhor concorda com a conclusão da polícia de que o SIG-PI prioriza a arrecadação em detrimento da qualidade das vistorias?
Fábio - O sistema agiliza o processo, não é questão de benefício arrecadatório. Ele veio para resolver uma parte desse processo.
ZH — Será que essa parte, a da celeridade promotiva pelo sistema, não está comprometendo a segurança?
Fábio — Se ele não for utilizado adequadamente, ele compromete a segurança (dos prédios). Caso seja utilizado de forma inapropriada, pode comprometer a segurança. O SIG-PI é feito para determinado objetivo. Se desvirtuar, pode ter consequências graves.

quinta-feira, 28 de março de 2013

Santa Maria, o último grito! CARTA ABERTA DA ABERGS

 
CARTA ABERTA DA ABERGS

Santa Maria, o último grito!

         A Associação de Bombeiros do Estado do Rio Grande do Sul – ABERGS vem a público manifestar-se sobre a maior tragédia já ocorrida em nosso Estado, especificamente, sobre a condenação sumária que estão sofrendo os Bombeiros de Santa Maria após a divulgação do relatório do inquérito da Policia Civil.
         As consequencias do relatório, tanto pelo conteúdo, bem como, pela forma como foi conduzido, induz a sociedade a uma compreensão equivocada, de que, os Bombeiros, seriam capazes de matar intencionalmente 241 pessoas.
Quanto ao conteúdo, vamos nos ater ao indiciamento dos Bombeiros que inspecionaram o local e os que integraram a guarnição que atuou na ocorrência.
O indiciamento dos Bombeiros que vistoriaram a boate ocorreu, em suma, por haverem barras de contenção (guarda-corpos) nas rotas de fuga e, também, pelas saídas de emergência não apresentarem as dimensões necessárias. A argumentação exposta no relatório, apesar de plausível para os leigos, é facilmente discutível em um âmbito mais técnico, primeiramente, devido à inspeção ter sido efetuada em agosto de 2011, ou seja, quase um ano e meio antes da tragédia, tempo mais do que suficiente para alterar a estrutura do local, tanto na retirada como colocação das barras de contenção, bem como, na alteração das dimensões das portas (saídas de emergência). Portanto, para sustentar essa tese, se faz necessário apresentar imagens do local em agosto de 2011, mostrando serem idênticas as de janeiro de 2013. Lembramos que a boate Kiss era um local onde as pessoas costumavam tirar muitas fotos, portanto, não acreditamos que a Policia Civil deva ter dificuldades em encontrar estas para comparações.
         Já o indiciamento da guarnição de serviço, está baseado em relatos de vítimas envolvidas no cenário da emergência, pessoas que tiveram que adotar o comportamento “lutar ou fugir”, portanto, sob stress. Neste caso, há de se observar estudos quanto ao Comportamento Humano nas Emergências e, tão logo, se pode chegar à conclusão de que essas pessoas estavam movidas pela emoção, sem capacidade de avaliar com clareza os fatos, fazendo com que passe despercebido detalhes que fazem muita diferença em um ambiente que se esteja buscando JUSTIÇA e não, SIMPLESMENTE, CULPADOS.
        De acordo com os relatos, havia centenas de pessoas fora da boate tentando ajudar, essas pessoas, pela situação descrita acima, dificilmente ouviriam a determinação de um Bombeiro para se afastar, e, mesmo que ouvissem, certamente não obedeceriam, pois o desejo e o ímpeto de ajudar seus entes queridos era muito maior. É básico para o Bombeiro nunca deixar pessoas entrarem no local de risco e, no caso da Kiss, o que é mais provável ter ocorrido é que os Bombeiros, não podendo impedir a ação dos civis, acabaram direcionando estes para dar apoio às pessoas que estavam saindo da boate. O relato de um ou outro bombeiro estar parado, sem fazer nada, é o fato deste estar se recuperando ou hiperventilando, pois por falta de equipamentos, alguns entraram no estabelecimento como mergulhadores sem cilindros, ou seja, somente com o ar dos pulmões, na apnéia. Tão logo saiam com uma vítima, voltavam para o interior daquele mar de gases tóxicos, e tanto desta forma, um dos Bombeiros foi flagrado pelas câmeras da imprensa passando mal devido à intoxicação.          Outro fato descrito no relatório é que havia Bombeiros que, simplesmente, não entraram na boate. Será que estas pessoas, nesse momento de stress grave, ao verem um Bombeiro parado ao lado do caminhão de Combate, saberiam diferenciar omissão do desempenho de uma função estratégica na ocorrência? Como é o caso do motorista que chamamos de “COV” – Condutor e Operador de Viatura, pois ele opera a bomba que mandará água para o restante da guarnição.
          Quanto ao fato de jogarem água em algumas pessoas, direcionando jatos na saída, não se trata de uma preparação para o civil entrar no local como consta no relatório, mas sim, para resfriar o corpo das pessoas que estavam saindo, como também, uma forma de oxigenar o local, tendo em vista que não havia outras aberturas com a mesma vazão para se fazer uma ventilação forçada do ambiente.
          O que nos chamou atenção, e por sua vez torna-se um fato surpreendente, é que a guarnição que chegou à ocorrência foi indiciada, segundo os relatos, por incentivar as pessoas a entrarem na boate em chamas, mas também, por não atuarem na ocorrência, porém, para haver um indiciamento desta forma, deveriam ao menos apurar os nomes dos Bombeiros. Através de uma análise mais criteriosa e menos arbitraria, o relatório poderia citar quem não atuou de maneira correta, identificando a atribuição de cada um, sem a necessidade de, simplesmente, indiciar todos integrantes.
           Respeitamos a instituição Policia Civil e seus competentes integrantes, porém diante do exposto, nos fica claro que faltou aos responsáveis pelo inquérito, conhecimento da atividade de Bombeiro, tanto no setor de prevenção, como na atividade operacional. Os responsáveis, sem dúvida, estudaram as leis, mas em nenhum momento buscaram orientação com profissionais da área de Bombeiros, ignorando um oceano de informações que não se encontram em papéis. Vale lembrar que em nosso Estado, nós Bombeiros aprendemos nossa função longe das teorias e, muitas vezes, até mesmo, sem conhecimento prático, concluindo o curso de formação sem ao menos ter manuseado um único extintor. Sendo assim, as responsabilizações imputadas aos Bombeiros inspecionantes e a guarnição de serviço não se sustentam unicamente pela interpretação literal da complexa legislação que norteia o caso.
          Concordamos que o sistema de prevenção contra incêndios no Estado é frágil, devido à falta de estrutura do bombeiro em chegar a todos os locais que necessitam prevenção e também das legislações autônomas das três esferas governamentais que não se entendem, logo não podemos julgar os bombeiros inspecionastes que fazem o máximo possível para atuar com eficiência dentro de tantas precariedades.
           Concordamos também que nós bombeiros não estamos preparados, para grandes ocorrências, pois além de nossa estrutura precária temos uma formação voltada para atividade policial e para o estudo do Direito, fazendo com que muitos busquem o aprimoramento técnico fora da instituição e pagando de seu próprio bolso, sem qualquer auxilio da Brigada Militar ou do Governo do Estado. Da mesma forma, em que esta instituição POLICIAL que comanda os BOMBEIROS, desconsidera os servidores com conhecimento em administração, engenharia, química entre outras faculdades que interessam ao Corpo de Bombeiros em nosso Estado.
           Se houvesse uma comparação com os Corpos de Bombeiros de Estados que já estão Desvinculados das Policias Militares e são independentes, com certeza concordaríamos com a idéia de que somos amadores, pois profissional é aquele que é treinado para atuar dentro de uma atividade fim, em uma instituição ou órgão existente e, infelizmente, no Rio Grande do Sul, não existe o órgão Corpo de Bombeiros, mas um apêndice da Policia Militar, o que novamente evidencia a deficiência de uma estrutura que não entende e nem atendeu satisfatoriamente a tragédia da boate Kiss. Repudiamos a responsabilização de Bombeiros gaúchos pelo descaso do Governo e pela deficiência da atividade de Bombeiro, pois se fosse investigado a fundo, é nesse ponto que nossos Delegados chegariam.
Lembramos que a ABERGS de forma permanente vem alertando a sociedade gaúcha, a imprensa e ao Governo do Estado que a atual estrutura do Corpo de Bombeiros da Brigada Militar com todas as suas deficiências não iriam evitar e tão pouco remediar, de forma eficaz, uma tragédia de grandes proporções como a da boate Kiss.
         O relatório diz que houve negligência por omissão por parte do Prefeito e do Poder Público Municipal devido os mesmos terem conhecimento da situação. Lamentavelmente, o mesmo critério não é usado para responsabilização do Poder Público Estadual e do Governador do Estado, pois assim como o prefeito estava ciente que uma tragédia poderia ocorrer em Santa Maria, o atual governador também sabia dessa probabilidade em nosso Estado. Inúmeras vezes o Governador foi alertado através de reuniões e relatórios entregues a sua pessoa e a de seus Secretários de Estado, principalmente através do grupo de trabalho criado pelo seu gabinete através do Decreto 48.229/2011 e capitaneado pela ABERGS, para tratar da reestruturação e modernização do Corpo de Bombeiros onde após um ano de discussões, gerou um relatório com as dificuldades e a principal reivindicação de DESVINCULAR OS BOMBEIROS DA BRIGADA MILITAR.
          O Governo havia sido alertado que os Bombeiros de Santa Maria possuía um comandante que não era Bombeiro e sim Policial Militar, demonstrando, mais uma vez, que o sistema estava errado. Foi avisado também, que dois dos três quartéis de Bombeiros da cidade estavam, e, continuam fechados há meses. Nada foi feito para mudar esta situação.           A ABERGS até o momento ainda não havia se manifestado diante de um assunto tão doloroso, em respeito às famílias atingidas e ao trabalho das autoridades na busca das causas e responsabilidades, mas agora, não poderemos calar, em respeito às vidas que ainda iremos ao encontro com a missão de não permitir que sejam ceifadas. Não conseguimos mais conviver com a impotência causada pela inércia de nossos Governantes, e também temos plena convicção que não é justo que Bombeiros sofram um linchamento moral, mesmo tendo salvado centenas de pessoas que estavam dentro da boate, entre elas, amigos, colegas de faculdade e familiares, fato este ignorado, por todos.
          Reafirmamos ao povo gaúcho e especialmente a população de Santa Maria que, mesmo com todas as limitações, continuaremos empenhados em dar o melhor de nós para cumprir nosso dever, mesmo com risco da própria vida.
Portanto esperamos que a tragédia da Boate Kiss em Santa Maria, seja, o último grito.

Respeitosamente,

Ubirajara Pereira Ramos
Coord. Geral - ABERGS